8th February 2012

‘Tenho orgulho da minha vida sem os Beatles’, diz Pete Best

Posted by MrHot on November-15-2009 Add Comments

‘Tenho orgulho da minha vida sem os Beatles’, diz Pete Best

Primeiro baterista dos Fab Four se apresenta no Brasil no fim de semana.
Em entrevista ao G1, diz que gostaria de voltar a falar com os ex-membros.

Amauri Stamboroski Jr. Do G1, em São Paulo

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Foi ele quem segurou as baquetas quando os Beatles tocavam até sete horas por noite em Hamburgo, no começo dos anos 60. Foi ele também quem estava por trás da banda quando eles incendiavam o Cavern Club em Liverpool, criando a primeira onda da Beatlemania. Foi ele que participou das primeiras gravações da banda, como grupo de apoio do cantor Tony Sheridan. Mas não foi ele que passou para a história como o baterista dos Beatles.

Pete Best é um dos demitidos mais famosos da história do rock. Ele foi rejeitado pelo produtor George Martin após a apresentação dos Beatles, que tentavam um contrato com a Capitol. Os outros membros não tiveram dúvida: sacaram Pete e no sue lugar veio o narigudo e gente boa Ringo Starr.

Apesar de ter perdido o bonde da história, o música não esmoreceu, e continuou tocando, sempre ancorado pela fama de “primeiro baterista dos Bealtes”. Os brasileiros vão poder conhecer a lenda neste fim de semana – Best toca no Rio de Janeiro e em São Paulo com a sua Pete Best Band e com o grupo argentino The Beats, cover dos Beatles.

Apesar de dizer não guardar mágoas, Pete gostaria de pelo menos conversar com os membros da sua ex-banda. “Contar umas piadas sobre aquela época, Hamburgo e o começo de tudo”, resume o desejo, falando que naõ gostaria de esperar “até que não estivéssemos mais nesse mundo” . Confira abaixo a entrevista de Pete Best ao G1, feita por telefone, da Argentina.

G1- Quando você decidiu que viveria de música, ao invés de ter um trabalho “normal”?

Pete Best – Eu acredito que foi quando fui com os Beatles para a Alemanha, em 1960. Quando voltamos de lá eu decidi que queria ser um músico – ao invés de virar um professor, resolvi que seria baterista.

G1 – Existem várias lendas sobra a época em que os Beatles estavam na Alemanha. É verdade que vocês passavam quase a noite toda tocando?

Best – Nós tocávamos de seis a sete horas por noite, de seis a sete noites por semana. Mas como já foi dito, se não tocássemos tanto, não teríamos nos tornado a maio banda de rock’n’roll do mundo na época. Então todas aquelas horas eram como ensaios permanentes, e nós ficamos mais confiantes, mais fortes, melhoramos nosso groove. Então foi um grande aprendizado para a gente.

G1 – Mas vocês não ficaram assustados com tanto trabalho?

Best – Nós não sabíamos que iríamos tocar tanto quando viajamos para lá. Mas sabíamos que o trabalho tinha que ser feito. No começo era difícil, mas fomos nos acostumando conforme os dias passavam. E é claro que quando voltamos para Liverpool e os shows tinham uma hora, eles eram fantásticos, eram como uma explosão no palco – toda a energia que usávamos durante uma noite inteira, gastávamos em uma hora.

G1 – Qual foi o impacto dos Beatles, vindos de uma temporada em Hamburgo, na cena de Liverpool na época?

Best – Nós aparecemos com uma batida completamente diferente do que as outras bandas estavam tocando lá. Nós éramos uma banda que estava tocando alto, tínhamos amadurecido após o nosso tempo em Hamburgo. E tudo isso mudou as coisas em Liverpool, o pessoal lá nunca tinha ouvido algo como aquele. E isso tudo cativou um grande número de pessoas, criando a primeira onda da Beatlemania.

G1 – Quando os Beatles se apresentaram tentando um contrato com a gravadora Decca, eles foram dispensados pelo executivo, que dizia que “bandas de guitarras estão fora de moda”. Você acredita que vocês estavam fora de moda na época?

Best – Não, eu acho que foi uma desculpa dele. Bandas como Brian Poole and The Tremeloes, que tinham guitarras, estavam tocando no rádio na época, e eram bem similares aos Beatles, então essa afirmação não faz sentido. Nós não éramos comerciais o suficiente, e achamos que era uma desculpa, porque eles queriam uma banda como os Tremeloes – nós éramos melhores, mas não comerciais o suficiente. Mas depois descobrimos que éramos bem comerciais e conseguimos um contrato.


Trio Eletrico

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